quinta-feira, 4 de abril de 2013

Romantismo


Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
O termo romântico refere-se ao movimento estético ou, em um sentido mais lato, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.
O Romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais.

Gonçalves Dias



Poeta brasileiro nascido no sítio Boa Vista, perto de Caxias, MA, citado como o verdadeiro criador da literatura brasileira. Filho de um português e de uma mestiça, teve bons preceptores e trabalhou na loja do pai antes de seguir para a Universidade de Coimbra, pela qual se graduou em direito (1844). Retornou ao Maranhão, mas dois anos após (1846) mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou professor de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II. Foi um dos fundadores da revista Guanabara e escreveu crônicas, críticas e folhetins literários para jornais como o Correio Mercantil e o Correio da Tarde. Nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros (1852), foi para a Europa (1854) para estudar métodos de instrução pública em diferentes países. De volta ao Brasil (1859), deu início a uma série de viagens pela Amazônia, como chefe da seção de etnografia da Comissão Científica de Exploração, explorando especialmente os rios Negro e Madeira, e regiões da Venezuela e do Peru. Voltou à Europa (1862) e quando estava em Coimbra, compôs um de seus poemas mais conhecidos, que tem a particularidade de não apresentar nenhum adjetivo nos 24 versos que o compõem, a Canção do exílio: "Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá".... Com uma obra repleta de brasilidade e com temas indianistas, mais e mais valorizada com o tempo, em seu modo de ver e defender a natureza, já embutia uma preciosa preocupação ecológica, consolidou o romantismo brasileiro e serviu de modelo para muitos dos poetas seguintes, de Junqueira Freire a Castro Alves. No bojo do que foi editado destacaram-se Primeiros cantos (1847), Leonor de Mendonça (1846), Segundos cantos (1848), as Sextilhas de frei Antão (1848), Boabdil (1850) e Últimos cantos (1850). A editora alemã Brockhaus lançou em Dresden (1857), três obras suas: Os Cantos, Os timbiras e seu Dicionário da língua tupi. Depois (1868-1869) publicou suas obras póstumas, em seis volumes, numa tradução de Schiller Die Braut von Messina. Com a saúde irremediavelmente abalada, embarcou de volta ao Brasil (1864) no porto francês do Havre, no navio Ville de Boulogne. Inditosamente o navio naufragou na costa maranhense, perto de Guimarães, e o grande poeta foi o único a morrer no naufrágio, em 3 de novembro daquele ano.


Senhor da Floresta
Maria Bethânia
Senhor da floresta, um índio guerreiro da raça tupy

Vivia pescando, sentado na margem do rio chuí.
Seus olhos rasgados, no entanto,
Fitavam ao longe uma taba
Na qual habitava a filha formosa de um morubichaba.
Um dia encontraram senhor da floresta no rio chuí

Crivado de flechas, de longe atiradas por outro tupy
E a filha formosa do morubichaba
Quando anoiteceu, correu,
Subindo a montanha, no fundo do abismo desapareceu.
Naquele momento, alguém viu no espaço, à luz do luar

Senhor da floresta de braços abertos, risonho a falar:
- ó virgem guerreira, ó virgem mais pura que a luz da manhã,
Iremos agora unir nossas almas aos pés de tupã.

Nossa terra



Sobre esse país enorme
tem muito do que falar
muitas praias tropicais
e mulatas pra apaixonar

O verde da nossa bandeira
simboliza a nossa flora
linda e variada
que infelizmente está indo embora
Nossa floresta amazônica
e reconhecida pelo mundo
suas plantas e animais
seu verde profundo

Nosso povo, lutador
é exemplo de superação
nossa gente sofrida
e que compõe nossa nação

O azul da nossa bandeira
simboliza as nossas águas
nossos rios cheios de peixes
de corais e de algas

E pra terminar esse poema
sobre esse país viril
quero dizer que amo
essa terra chamada Brasil.


Autoria :  Matheus Bradão, Pedro Otávio, João Victor Dias

OLHOS VERDES




SÃO uns olhos verdes, verdes, 
Uns olhos de verde-mar, 
Quando o tempo vai bonança; 
Uns olhos cor de esperança. 
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas, 
Iguais na forma e na cor, 
Tem luz mais branda e mais forte, 
Diz uma – vida, outra – morte; 
Uma – loucura, outra – amor.
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado, 
Exprimem qualquer paixão, 
Tão facilmente se inflamam, 
Tão meigamente derramam 
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes, 
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado, 
Mas verdes da cor do prado, 
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho, 
Pude ler nos olhos seus! 
Os olhos mostram a alma, 
Que as ondas postas em calma 
Também refletem os céus;
Mas ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos, 
Se vos perguntam por mi, 
Que eu vivo só da lembrança 
De uns olhos cor de esperança. 
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mi! 
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo! 
Deixou-se de amor finar! 
Viu uns olhos verdes, verdes, 
Uns olhos da cor do mar: 
Eram verdes sem esp’rança, 
Davam amor sem amar! 
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mi! 
Não pertenço mais a vida
Depois que os vi!


CANÇÃO DO TAMOIO



I
Não chores, meu filho; 
Não chores, que a vida 
É luta renhida: 
Viver é lutar. 
A vida é combate, 
Que os fracos abate, 
Que os fortes, os bravos, 
Só pode exaltar.

II
Um dia vivemos! 
O homem que é forte 
Não teme da morte; 
Só teme fugir; 
No arco que entesa 
Tem certa uma presa, 
Quer seja tapuia, 
Condor ou tapir.

III
O forte, o cobarde 
Seus feitos inveja 
De o ver na peleja 
Garboso e feroz; 
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos, 
Curvadas as frontes, 
Escutam-lhe a voz!

IV
Domina, se vive; 
Se morre, descansa 
Dos seus na lembrança, 
Na voz do porvir. 
Não cures da vida! 
Sê bravo, sê forte! 
Não fujas da morte, 
Que a morte há de vir!

V
E pois que és meu filho, 
Meus brios reveste; 
Tamoio nasceste, 
Valente serás. 
Sê duro guerreiro, 
Robusto, fragueiro, 
Brasão dos tamoios 
Na guerra e na paz.

VI
Teu grito de guerra 
Retumbe aos ouvidos 
D’imigos transidos 
Por vil comoção; 
E tremam d’ouvi-lo 
Peor que o sibilo 
Das setas ligeiras, 
Peor que o trovão.

VII
E a mãe nessas tabas, 
Querendo calados 
Os filhos criados
Na lei do terror; 
Teu nome lhes diga, 
Que a gente imiga 
Talvez não escute 
Sem pranto, sem dor!

VIII
Porém se a fortuna, 
Traindo teus passos, 
Te arroja nos laços 
Do imigo falaz! 
Na última hora 
Teus feitos memora, 
Tranqüilo nos gestos, 
Impávido, audaz.

IX
E cai como o tronco 
Do raio tocado, 
Partido, rojado 
Por larga extensão; 
Assim morre o forte! 
No passo da morte 
Triunfa, conquista 
Mais alto brasão.
As armas ensaia, 
Penetra na vida: 
Pesada ou querida, 
Viver é lutar. 
Se o duro combate 
Os fracos abate, 
Aos fortes, aos bravos, 
Só pode exaltar.


A TEMPESTADE




Um raio 
Fulgura 
No espaço 
Esparso, 
De luz; 
E trêmulo 
E puro 
Se aviva, 
S’esquiva, 
Rutila, 
Seduz!
Vem a aurora 
Pressurosa, 
Cor-de-rosa, 
Que se cora 
De carmim; 
A seus raios 
As estrelas, 
Que eram belas, 
Têm desmaios, 
Já por fim.

O sol desponta 
Lá no horizonte, 
Doirando a fonte, 
E o prado e o monte 
E o céu e o mar;
E um manto belo 
De vivas cores 
Adorna as flores, 
Que entre verdores 
Se vê brilhar.
Um ponto aparece, 
Que o dia entristece, 
O céu, onde cresce, 
De negro a tingir; 
Oh! vede a procela 
Infrene, mas bela, 
No ar s’encapela 
Já pronta a rugir!
Não solta a voz canora 
No bosque o vate alado, 
Que um canto d’inspirado 
Tem sempre a cada aurora; 
E mudo quanto habita 
Da terra n’amplidão. 
A coma então luzente
Se agita do arvoredo, 
E o vate um canto a medo 
Desfere lentamente, 
Sentindo opresso o peito 
De tanta inspiração.

Fogem do vento que ruge 
As nuvens aurinevadas, 
Como ovelhas assustadas 
Dum fero lobo cerval; 
Estilham-se como as velas 
Que no alto mar apanha, 
Ardendo na usada sanha, 
Subitâneo vendaval.
Bem como serpentes que o frio 
Em nós emaranha, – salgadas
As ondas s’estranham, pesadas 
Batendo no frouxo areal. 
Disseras que viras vagando 
Nas furnas do céu entreabertas 
Que mudas fuzilam, – incertas
Fantasmas do gênio do mal!
E no túrgido ocaso se avista 
Entre a cinza que o céu apolvilha, 
Um clarão momentâneo que brilha, 
Sem das nuvens o seio rasgar; 
Logo um raio cintila e mais outro, 
Ainda outro veloz, fascinante, 
Qual centelha que em rápido instante 
Se converte d’incêndios em mar.
Um som longínquo cavernoso e ouco 
Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre; 
Eis outro inda mais perto, inda mais rouco, 
Que alpestres cimos mais veloz percorre, 
Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco 
Do norte ao sul, – dum ponto a outro corre: 
Devorador incêndio alastra os ares, 
Enquanto a noite pesa sobre os mares.

Nos últimos cimos dos montes erguidos 
Já silva, já ruge do vento o pegão; 
Estorcem-se os leques dos verdes palmares, 
Volteiam, rebramam, doudejam nos ares, 
Até que lascados baqueiam no chão.
Remexe-se a copa dos troncos altivos, 
Transtorna-se, tolda, baqueia também; 
E o vento, que as rochas abala no cerro, 
Os troncos enlaça nas asas de ferro, 
E atira-os raivoso dos montes além.
Da nuvem densa, que no espaço ondeia, 
Rasga-se o negro bojo carregado, 
E enquanto a luz do raio o sol roxeia,
Onde parece à terra estar colado, 
Da chuva, que os sentidos nos enleia, 
O forte peso em turbilhão mudado, 
Das ruínas completa o grande estrago, 
Parecendo mudar a terra em lago.
Inda ronca o trovão retumbante, 
Inda o raio fuzila no espaço, 
E o corisco num rápido instante 
Brilha, fulge, rutila, e fugiu. 
Mas se à terra desceu, mirra o tronco, 
Cega o triste que iroso ameaça, 
E o penedo, que as nuvens devassa, 
Como tronco sem viço partiu.

Deixando a palhoça singela, 
Humilde labor da pobreza, 
Da nossa vaidosa grandeza, 
Nivela os fastígios sem dó; 
E os templos e as grimpas soberbas, 
Palácio ou mesquita preclara, 
Que a foice do tempo poupara, 
Em breves momentos é pó.
Cresce a chuva, os rios crescem, 
Pobres regatos s’empolam, 
E nas turvas ondas rolam 
Grossos troncos a boiar! 
O córrego, qu’inda há pouco 
No torrado leito ardia, 
É já torrente bravia, 
Que da praia arreda o mar.
Mas ai do desditoso, 
Que viu crescer a enchente 
E desce descuidoso 
Ao vale, quando sente 
Crescer dum lado e d’outro
O mar da aluvião! 
Os troncos arrancados 
Sem rumo vão boiantes; 
E os tetos arrasados, 
Inteiros, flutuantes, 
Dão antes crua morte, 
Que asilo e proteção!

Porém no ocidente 
S’ergue de repente 
O arco luzente, 
De Deus o farol; 
Sucedem-se as cores, 
Qu’imitam as flores, 
Que sembram primores 
Dum novo arrebol.
Nas águas pousa; 
E a base viva 
De luz esquiva, 
E a curva altiva 
Sublima ao céu; 
Inda outro arqueia, 
Mais desbotado, 
Quase apagado, 
Como embotado 
De tênue véu.
Tal a chuva 
Transparece, 
Quando desce 
E ainda vê-se
O sol luzir; 
Como a virgem, 
Que numa hora 
Ri-se e cora, 
Depois chora 
E torna a rir.

A folha 
Luzente 
Do orvalho 
Nitente 
A gota 
Retrai: 
Vacila, 
Palpita; 
Mais grossa, 
Hesita, 
E treme 
E cai.